CRF-RJ - Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro
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Rio de Janeiro, 9 de Setembro de 2010

A Palavra do Presidente

Julho de 2009
Se persistirem os sintomas, procure o farmacêutico

O Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) exigem agora, nas propagandas dos medicamentos, que a população procure o farmacêutico quando for comprá-los e usá-los, favorecendo o consumo correto.

 

Na primeira metade do século passado, o farmacêutico e a farmácia eram um só. A farmácia, instituição de atenção primária em saúde, manipulava quase todos os medicamentos que os médicos necessitavam para o tratamento dos pacientes. Os farmacêuticos, além de manipular, orientavam sobre o uso correto e acompanhavam o tratamento prescrito pelo médico. No interior, o farmacêutico ultrapassava os limites de sua competência, realizando procedimentos que chegavam a salvar vidas.

 

A partir da segunda metade do século XX, com o crescimento da indústria farmacêutica, produzindo medicamentos em larga escala, a farmácia transformou-se em ponto estritamente comercial, perdendo seu caráter de saúde pública e vendendo remédios com nomes sugestivos em caixas coloridas. Neste modelo, os farmacêuticos perderam espaço, ficando restritos às poucas farmácias de manipulação das quais eram proprietários.

 

Nos anos 90, a profissão farmacêutica quase acabou. Não se encontrava o farmacêutico na farmácia, o balconista era chamado de farmacêutico, fabricavam-se medicamentos similares, a empurroterapia prosperava, a falsificação de medicamentos tomou proporções alarmantes. O modelo “pague e pegue”, totalmente comercial, em que o paciente pede um medicamento, com ou sem receita, vai ao caixa, paga e pega o medicamento, se consolidou. Neste modelo, não cabia (e não cabe) o profissional farmacêutico.

 

Os problemas relacionados aos medicamentos se devem a numerosas causas, tais como doses subterapêuticas ou tóxicas, reações adversas, interações com outros medicamentos, descumprimento da pauta do tratamento, uso de medicamentos desnecessários. Vale ressaltar que mais grave ainda é a total falta de acesso aos medicamentos por parte dos menos favorecidos economicamente.

 

Para complicar a situação, o brasileiro tem a cultura da automedicação, selecionando e consumindo medicamentos inadequados para curar patologias ou diminuir sintomas. Essa prática pode ter como consequência o mascaramento dos sinais da doença de base, podendo esta se agravar e levar o paciente à morte.

 

O Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ) está desenvolvendo estratégias, como o Fórum de Atenção Farmacêutica, para recolocar e reposicionar o farmacêutico em todas as farmácias e drogarias do estado. Nelas, eles vão realizar a atenção farmacêutica, prática centrada no paciente e orientada à promoção da saúde. Por meio dela, é possível acompanhar e avaliar os resultados da terapia medicamentosa, identificando problemas relacionados aos medicamentos e garantindo que a farmacoterapia seja segura e eficaz. O farmacêutico é o profissional de saúde mais adequado para realizar o controle da farmacoterapia.

 

Metade da população brasileira não tem acesso a nenhum medicamento. Por isso, o CRF-RJ apoia o programa Farmácia Popular do Brasil, do Ministério da Saúde, que favorece o acesso aos medicamentos para quem ganha menos de quatro salários mínimos. Porém, concomitante a isso, é necessária uma campanha nacional pelo uso correto do medicamento. Não basta dar acesso, é preciso orientar sobre como utilizar. E quem tem competência para fazer isso é o farmacêutico.

 

Faz parte também da estratégia do CRF-RJ o estímulo aos serviços de saúde que os farmacêuticos poderiam realizar nas farmácias, como aplicação injetáveis, aferição de pressão arterial, medição da glicose, nebulização, pequenos curativos, primeiros socorros. Levantamento epidemiológico inédito, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) da Bahia, aponta que três em cada quatro diabéticos brasileiros não controlam a doença adequadamente e estão com os índices de glicemia alterados.

 

O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, declarou no início deste ano acreditar que farmácias e drogarias devem superar o ultrapassado modelo de ambiente puramente comercial e funcionar sintonizadas às diretrizes e ações do Sistema Único de Saúde (SUS), sempre com a permanência do profissional farmacêutico à disposição do paciente.

 

O CRF-RJ orienta a população para que atenda à exigência da Anvisa: “se persistirem os sintomas, procure o farmacêutico”.

 

Paulo Oracy Azeredo é farmacêutico e presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado do Rio de Janeiro (CRF-RJ).




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